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Mercado automotivo brasileiro está menos concentrado

13/04/2013

Chegada de novos fabricantes aumenta concorrência e muda perfil do setor, mas preços não devem cair .
A entrada de novas montadoras no país, atraídas pelo crescimento das vendas internas, verificado nos últimos anos, vem provocando mudanças profundas no perfil do mercado automotivo brasileiro, que está ficando cada vez menos concentrado.
Para especialistas, as quatro principais marcas instaladas no Brasil (Fiat, Volkswagen, General Motors e Ford), que até 2012 respondiam por mais de 70% do segmento de automóveis e comerciais leves, deverão perder espaço e terão que estar preparadas para enfrentar a forte concorrência, principalmente de empresas asiáticas, em um mercado que deverá atingir em pouco tempo 5 milhões de unidades vendidas por ano. Porém, a disputa não deverá reduzir os preços no mercado interno, que estão entre os mais altos do planeta.
Até a década de 80, as quatro grandes respondiam por praticamente 100% das vendas internas. A reversão do quadro começou durante o governo Collor, nos anos 90, quando o mercado foi aberto para as importações. Com isso, diversas empresas passaram a atuar no país e algumas se instalaram em território nacional, como a Honda, que iniciou atividades em Sumaré (SP) em 1997.
Desde 2000, o número de marcas no mercado nacional passou de 15 para 49, além das que estão em processo de instalação
Mas a redução na concentração tomou corpo a partir dos anos 2000, com o avanço das japonesas e sul-coreanas. Há dez anos, as quatro maiores montadoras detinham 82% das vendas internas, índice que caiu para 69,52% no primeiro trimestre de 2013, conforme a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Desde 2000, o número de marcas no país subiu de 15 para 49, sendo que muitas estão em processo de instalação. Hoje, 20 empresas têm produção nacional e contam com capacidade instalada de 4,3 milhões de veículos, conforme a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Grande parte dos investimentos em novas fábricas é feita por empresas asiáticas. O CEO da MegaDealer, J. R. Caporal, explica que a primeira onda de aportes foi feita por marcas japonesas, na década de 90. No início dos anos 2000, fabricantes sul-coreanas passaram a apostar no Brasil. "Agora, é a vez dos chineses", diz.
Para o presidente do Centro de Estudos Automotivos (CEA) e ex-presidente da Ford, Luiz Carlos Mello, o processo de redução da concentração do mercado é inevitável, já que marcas recém-chegadas ainda estão em fase de consolidação. Além disso, segundo ele, estas empresas se mostram mais ousadas, o que deverá garantir boa parte das vendas domésticas.
Ele explica que as novas montadoras, como a Nissan, estão trazendo produtos globais, lançados recentemente, para competir no país. "Já a Ford lançou no Brasil, com estardalhaço, um modelo que já é produzido há quatro anos no México", exemplifica.

Adaptação - Na opinião de Mello, para enfrentar esta concorrência, o grupo de empresas já consolidadas no país terá que se adaptar. Uma das ações que podem dar maior competitividade a estas companhias, conforme ele, é o lançamento no Brasil de modelos mais novos, comercializados nos países de origem destas montadoras.

O gerente de Desenvolvimento de Negócios da Jato Dynamics do Brasil, Milad Kalume Neto, lembra que as montadoras já estão se movimentando para enfrentar a disputa acirrada. "A Fiat, por exemplo, passou por uma atualização de sua linha de produtos", diz. A ação vem sendo seguida pelas três principais concorrentes.

Além das perspectivas positivas quanto ao crescimento do mercado, cujas vendas deverão passar dos atuais 3,8 milhões de unidades anuais para cerca de 5 milhões nos próximos anos, o regime Inovar Auto, que concede uma série de benefícios para a produção automotiva nacional, irá atrair novas inversões, principalmente chinesas.
Desde 2000, o número de marcas no Brasil subiu de 15 para 49, sendo que muitas estão em instalação
Uma das empresas que estão investindo pesado é a Chery, que iniciará as atividades em sua planta de Jacareí (SP) no próximo ano. A unidade recebeu aportes de US$ 400 milhões. O chief executive officer (CEO) e vice-presidente da Chery Brasil, Luís Francisco Curi, afirma que aposta da companhia é no crescimento de até 5 milhões de veículos previsto para os próximos anos, o que deverá garantir a melhor distribuição do mercado brasileiro. Porém, as companhias tradicionais não terão redução no volume de vendas. Segundo Curi, a divisão irá ocorrer com a ampliação do mercado.
Apesar do acirramento na concorrência, o Brasil ainda mantém um dos preços mais altos do mundo. E, conforme os especialistas consultados pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO, são poucas as possibilidades de mudança deste cenário. Entre os fatores que deverão manter as tabelas elevadas está a base de fornecedores de peças e componentes, que em diversos casos é a mesma para diversos fabricantes. Dessa forma, o custo de produção deverá se manter o mesmo.

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